segunda-feira, 24 de julho de 2017

O senador José Sarney afirma que as estrelas são vacas!


José Sarney se vale, no seu poema “Maribondos de fogo”, das rimas fáceis e dos recursos primários, com o propósito de impressionar o leitor. O resultado é um desastre, como se vê na página 64:



“Ventos e ventas ardentes

Das minhas tardes videntes”



Puxa, então existem tardes que são videntes? Tardes mães Diná? Quanto elas cobram por uma consulta? Cinqüenta ou cem reais?

Mas o cúmulo do destrambelho, no “poema" Os maribondos de fogo, aparece na página 50 dessa obra teratológica. Vejam, acreditem, na referida página o Sarney compara as estrelas a vacas:



“As estrelas são vacas

que vagam e se perdem

nas enseadas da noite”



Bem, se são vacas, devemos pedir a todos astronautas pa­ra levar imensas quantidades de capim ao espaço. Proponho, transformemos o firmamento num infinito capinzal.

Eu indago, muito curioso: que espécie de capim elas preferem? O capim-bobó? O capim-açu? O capim-gordura? O capim-guiné? O capim­-jaraguá? O capim-membeca? O capim-bambu? O capim-canudinho? O capim-de-angola? O capim-elefante? O capim-limão? O capim-marmelada? O capim-de­-burro? O capim-barba-de-bode?

É de vital importância ficar conhecendo o tipo de capim que as estrelas, ou melhor, as vacas do céu, gostam de devorar. Sim, pois um desses capins, apenas um, pode ajudá-Ias a produzir mais leite. Aliás, leite supersadio, espumante, saboroso, extraído das suas magníficas e adi­posas tetas.

Sou grato ao Sarney, pois eu, afundado na minha infame ignorância, não sabia que as estrelas são quadrúpedes, as fêmeas dos touros. E suplico, entreguem sem demora a ele o Prêmio Nobel. A sua descoberta foi sen-sa-cio-nal, revolucionou a ciência cujo objetivo é revelar a natureza dos astros e analisar as leis que os regem.

Inspirado na asnal (ou genial) descoberta sarneyana, eu produzi estes versos, enquanto olhava, numa noite suavemente romântica, a imensidão toda estrelada, ou melhor, toda avacalhada:



Estrelas, estrelas!

Vocês são vacas,

porém vacas cintilantes

que no céu sem fim,

comem muito capim,

e que brilham mais,

muito mais

do que os fúlgidos diamantes!



Eu e o Sarney,

nunca violamos a lei,

nem somos pessoas velhacas,

por chamá-las de vacas.



Adoramos os seus mugidos

que soam em nossos ouvidos,

como doces melodias,

tocadas pelo Messiasl



Os astrônomos garantem:

o Sol é uma estrela

cuja luz é cor de ouro.

Mentira, mentira,

isto desperta a minha ira!

Eu e o Sarney sabemos

que assim como as estrelas

são vacas,

ele, o Sol,

é um louro e lindo touro gay!

_______



Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “O Aleijadinho, sua vida, sua obra, sua época, seu gênio”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Martins Fontes.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A bestialidade do Doutor Horror

Advogada, ex-procuradora da República e da Fazenda Nacional, padece de aguda cegueira mental a senhora Larissa Sacco, esposa do médico estuprador Abdelmassih. Ela exibe essa cegueira no seu artigo “Quem é Roger Abdelmassih” (Folha de S.Paulo, 2-10-2014). Assegura no texto ilógico que nunca houve qualquer tipo de cerceamento, por parte dele, da sua “liberdade sexual”.
Ora, Roger foi condenado a 278 anos de prisão por 48 crimes sexuais contra 37 mulheres. Aceitemos o argumento de o médico jamais ter abusado sexualmente da futura esposa. Isto o absolve? Roger seria um burro chapado, um legitimo cretino, se estuprasse Larissa, que é advogada, uma conhecedora do Código Penal.
A consorte do Doutor Horror o vê como um inocente, um quase anjo. E indaga: por que as acusadoras de Roger voltaram a procurá-lo? Respondo: elas não sabiam, durante os estupros ficavam dopadas. Exames posteriores comprovaram a violência.
O próprio estuprador admitiu a sua culpa, como é evidente na reportagem “As confissões de Abdelmassih”, feita por Alexandre Hisayasu (VEJA, 15-10-2014). Eis a confissão de Roger, gravada pelo seu psiquiatra:
“Deus quis quebrar o prepotente (ele, Roger)... o comedor!... Que passava mulher pra trás... O grande comedor, que provavelmente achava que tudo tava disponível, a mulher jogava o milho, e eu ia comer, e levei ferro. Você sabe que mulher é um bicho desgraçado mesmo”.
Roger sentia-se igual a um galo no cio. Viu como ele define as mulheres, Larissa? A senhora “é um bicho desgraçado”? Concorda?
No artigo em defesa do estuprador, ela exalta o “caráter reto” do marido, a sua “falta de culpa”. Então, senhora Larissa, leia o depoimento de Vanuzia Leite Lopes, de 54 anos, concedido à repórter Natália Cancian, da Folha de S.Paulo:
“Foi em 1993. Ele sempre me elogiava. Falava que era bonita. Mas nunca pensei que um médico fizesse isso (estupro). Só soube porque o remédio para dormir não fez efeito o tempo todo. Quando acordei, ele estava em cima de mim. Estava com o ânus sangrando e cheia de esperma (ela, Vanuzia). Fiquei chocada. Tentava me desvencilhar, fui empurrando (o Roger). Consegui colocar a roupa e sai chorando, desesperada. De lá fui a uma delegacia e me encaminharam para exames”.
Veja agora, Larissa, as consequências do estupro do seu marido, ainda segundo o depoimento da vítima:
“Depois disso aconteceu um fato terrível. Como ele fez sexo anal e vaginal, e tinha me dado muito hormônio, meu ovário estava hiperestimulado e preparado para multiplicar tudo que recebesse. Ele multiplicou uma bactéria. Dez dias depois, eu já estava quase morta. Tiraram minhas trompas e ovário, que infeccionou. Fiquei quarenta dias no hospital” (Folha de S.Paulo, 16-10-2014).
Larissa tece louvores a Roger, por este ser um pai e um marido perfeitos, uma criatura repleta de amor aos filhos, à família. E daí? Tal sentimento prova a sua inocência? Excelente pai e marido foi também Joseph Fouché (1754-1820), o monstruoso responsável pelos morticínios de Lyon, na época de Napoleão (eu o evoquei no meu livro Água da fonte). Sob o teto do seu lar esse álgido assassino, informa Stefan Zweig, era “o mais amante dos maridos, o mais terno dos pais de família”.
Outro ótimo esposo, idêntico sob este aspecto a Roger, foi o médico inglês Harold Shipman (1946-2004), o Doutor Morte (Doctor Death), pai exemplar de quatro filhos, marido dedicado de Primrose Oxtoby, preso em 1998, após liquidar mais de 297 pacientes, a maioria mulheres, com doses diárias e letais de diamorfina. Harold, o pior serial killer da Inglaterra (Britain’s worst serial killer), enforcou-se na sua cela da penitenciaria de Wakefield.
As palavras do juiz Thayne Forbes, após condená-lo a prisão perpétua, aplicam-se de forma justa a Roger Abdelmassih:
“O senhor abusou da confiança dessas vítimas, pois era o médico delas. Usou suas habilidades médicas de maneira fria, perversa e calculista, sem demonstrar remorso.”
Senhora Larissa, continue a defender o seu encantador marido, tão puro, tão inocente como Joseph Fouché e Harold Shipman...
Os estupros de Roger me trouxeram à memória a novela The strange case of dr Jekill and mr. Hyde, publicada em 1886, mais conhecida pelo título de O médico e o monstro, do escritor escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894). Nessa história, sempre que ingeria uma droga, o médico Henry Jekill se transformava no demoníaco doutor Edward Hyde, num crápula odioso, cruel, repulsivo, de baixos instintos.
Para virar monstro, à semelhança do doutor Jekill, o doutor Abdelmassih não precisava tomar nenhuma droga. Bastava-lhe obedecer as ordens ditadas pela sua voraz e insaciável bestialidade, disposta, em qualquer hora, a devorar indefesas carnes femininas.
Concluindo, reproduzo a seguinte frase do crítico e lexicógrafo britânico Samuel Johnson (1709-1784), autor de ensaios famosos:
“Quem se converte numa besta, liberta-se do esforço de viver como um ser humano”.
(“He who make a beast of himself, gets rid of the pain of being a man”)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A Academia cagona que envergonhou o Brasil

A Academia Brasileira de Letras, neste ano de 2017, comemora os 120 anos do seu nascimento e logo sairá a oitava edição do meu livro contra ela. Sim, contra ela, eu o escrevi devido as ânsias de vômito que se apoderavam de mim, quando olhava o pavor, as curvaturas vertebrais, a vil passividade, as diarreias ininterruptas daquele grêmio agachado diante da Censura estúpida e dos bárbaros atos de arbítrio cometidos pelos gorilas do Golpe de 1964.
Informou Ancelmo Gois na edição de 4-3-2017 de O Globo: o holandês Nier Vermeulen cultiva o hábito de colecionar sacos de vômito – como os dos aviões – e já possui 6.016 sacos desse tipo. Ora, se eu pudesse contar quantas vezes senti a vontade de vomitar nos referidos sacos, ao ver as caganeiras da ABL em frente dos milicos, creio que ultrapassaria o número da coleção do singular holandês...
Senti irreprimível nojo da Academia, na época do regime militar, pois ela nunca protestou contra as apreensões dos seguintes livros: Feliz ano novo, de Rubem Fonseca; Abajur Lilás, de Plínio Marcos; Estruturalismo, de Claude Lévi-Strauss; A Universidade necessária, de Darcy Ribeiro; Maria da ponte, de Guilherme Figueiredo; O mundo do Socialismo, de Caio Prado Júnior; Rasga coração, de Oduvaldo Viana Filho; História militar do Brasil, de Nelson Werneck Sodré; Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, etc, etc.
Assustada, a Academia Cagona de Letras se emerdava toda, diante desses atentados fascistas à liberdade de pensamento. Tremia como a terra tremeu em Lisboa, no ano de 1531, e em São Francisco da Califórnia, no ano de 1906.
Cagona total, não emitiu sequer um pio fraquinho de coruja velha, após estes jornalistas serem mortos sob tortura: Luiz Eduardo da Rocha Merlino, em 1971; Carlos Nicolau Danielli, em 1972; David Capistrano da Costa, em 1974; Vladimir Herzog, em 1975. Evoquei-os no meu livro Cale a boca, jornalista!, cuja sexta edição é da editora Novo Século.
A furibunda Censura dos trogloditas fardados, a espumejar como cadela raivosa, proibia dezenas de livros, filmes, peças de teatro, composições de música, notícias de jornais. Sentada no seu lindo cagatório, a ABL ia parindo intermináveis e fedorentas diarreias.
Como procedeu a madame caguenta, quando uma bomba rebentou na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no dia 19 de agosto de 1976? Dirigia esse órgão o jornalista Barbosa Lima Sobrinho. A diarreica ABL não fez nenhum protesto, achou melhor ficar toda cubierta de pura mierda, a soltar con frequencia y sin reparo gases intestinales.
Ainda em 1976, nos dias 4 e 22 de setembro, fanáticos da Aliança Anticomunista Brasileira, explodiram duas bombas, respectivamente no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e na residência do empresário Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo. Reação da Academia: senil, babando, tremebunda, arriou a calça rendada, coberta de grossas crostas de merda, posou as nádegas murchas no seu lindo cagatório e expeliu majestosos cagalhões que dançaram na latrina, agitaram-se em redemoinho, depois de ruidosa descarga.
Ministro da Injustiça, o Armando Falcão, de sobrenome adequado, porque o falcão é ave de rapina, vetou no mesmo ano de 1976 a apresentação em nosso país do balé russo Bolshoi e da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, sob o argumento cretino de que nessa peça havia “amores proibidos, uma relação ilícita entre dois jovens, um assassinato, um suicídio e um pacto de morte.” Entretanto a imbecilidade do ministro sinistro não parou aí. Frenético, hidrófobo, no frenesi de se mostrar como “zeloso protetor da moral das famílias”, ele proibiu também a apresentação, na TV, do Fausto, de Goethe; do Édipo rei, de Sófocles; da Lisistrata, de Aristófanes, peças clássicas, obras primas da literatura universal.
A ABL protestou? Não, apenas tremeu, tremeu, tremeu e encheu, encheu, encheu o seu lindo cagatório com soberbos, maravilhosos, fedegosos cagalhões.
Ligado aos militares da Linha Dura, o Flávio Suplicy de Lacerda, reitor da Universidade Federal do Paraná, mandou arrancar, na biblioteca desta, as páginas por ele consideradas obscenas dos romances de Émile Zola e Eça de Queiroz. Além disso proibiu, na Universidade, a leitura dos livros de Jorge Amado, Graciliano Ramos e Jean-Paul Sartre.
Trêmula, pálida, babosa, horrorosa, exaurida pelas infindáveis cagadas, a Academia dava a impressão de implorar:
-Por favor, agentes da Ditadura, escarrem na minha cara de sem-vergonha, apliquem nela um esplêndido, altissonante, retumbante bofetão!
Alguém poderá dizer: Fernando Jorge, que autoridade moral você tem para criticar o mutismo, a covardia, a alienação da ABL, na época do Golpe de 1964? Tranquilo, respondo: tenho indiscutível autoridade moral, porque naquela época fui processado quatro vezes, como “escritor e jornalista subversivos”, pelo fato de sempre condenar a Censura, os atos de arbítrio, as torturas, os assassinatos de pessoas inocentes. Portanto afirmo, repleto de orgulho: fui o oposto da cagona Academia Brasileira de Letras. Devido ao meu inconformismo, membros da Comissão Nacional da Verdade, com a presença da consultora Maria Luci Buff Migliori (Brasília, fone 61-3313-7317), colheram as minhas declarações durante cinco horas. E os leitores de O Trem me perdoem a falta de modéstia, mas vou aqui transcrever as palavras de Ângelo Henrique Ricchetti, publicadas na seção “Cartas” da revista IMPRENSA, número 169, de março de 2002:
“Eu trabalhava na Assembleia Legislativa (de São Paulo) e lá fui companheiro e amigo de Fernando Jorge. Ele era um amigo que muito me preocupava, pois estava na lista negra dos militares como um jornalista subversivo, mas não, Fernando não era um jornalista subversivo. Era muito mais. Usava duas armas para combatê-los: a inteligência e a segunda, a sua caneta, ora escrevendo livros e ora escrevendo peças de teatro, diga-se de passagem sempre proibidas.”
Ricchetti observa: o catedrático Fernando Henrique Cardoso, ao ver no Brasil “a coisa ficar preta, enfiou o rabo entre as pernas e se mandou para o Chile, lá passando pouco tempo.” Logo FHC reparou, acrescenta o autor da carta, que os contrários a Pinochet eram “simplesmente fuzilados” e decidiu ir para a França, “com o rabo mais enfiado entre as pernas.” Assim Ângelo Henrique Ricchetti conclui a carta:
“Pois bem, o outro Fernando, aquele que me sinto honrado de em tê-lo como amigo, aqui estava, usando duas armas para enfrentar a turma de militares e policiais. Um dia Fernando Jorge foi intimado e compareceu: durante horas foi interrogado por um coronel. Não sei qual seria o comportamento do seu xará (FHC), aquele que naqueles dias estava na França. Já pensaram nisto?”
Agora eu, Fernando Jorge, pergunto: tenho ou não tenho autoridade moral para esculhambar a Academia Brasileira de Letras e chamá-la de cagona?
Encerro o texto reproduzindo esta expressão da página 51 do Diccionario de expresiones malsonantes del español, de Jaime Martin Martin, publicado no ano de 1974: me cago en la mierda. Adivinhe então, amigo leitor, em qual mierda eu gostaria deixar cair os bonitos excrementos da minha barriga...

Alguém talvez objete que sou muito agressivo, violento. Entretanto, em certas circunstâncias, a violência se torna necessária. Exemplo eloquente: até Jesus, símbolo perfeito do perdão e da bondade, agiu com violência. Conforme está na Bíblia, ao entrar no templo de Deus, invadido pelos mercadores, o Nazareno expulsou-os usando um chicote. E jogou o dinheiro deles no chão, e derrubou os seus bancos. Palavras do Salvador, no decorrer dessa violência: “Não façais, da casa do meu pai, covil de ladrões.” Inspirado em Jesus, eu digo: “Não façais, ò ABL, da vossa sede no Rio de Janeiro, covil de cagões.”

Publicado no Jornal O TREM Itabirado

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Mon fils a tué Paulo Francis

C´est exact, mon fils a tué Paulo Francis. Comment s´appelle-t-il? Son nom est Vida e obra do plagiario Paulo Francis, ouvrage dont je suis l´auteur, éditorial lancé en 1996. Parution de la nouvelle troisième édition, revue et enrichie.
C´est alors en 1980, lorsque Francis résidait à New York en tant que correspondant de la Folha de S.Paulo, que j´ai animé le projet d´écrire un livre afin de le détruire culturellement et professionnellement. J´ai réussi!
Cláudio Abramo, un ami intime, connaissait ce projet. Il m´en était très reconnaissant, car,après s´être disputé en 1963 avec la famille Mesquitas do O Estado de São Paulo, dans lequel il exerçait les fonctions de secrétaire de rédaction, il resta sans argent et je pus l´aider, en lui trouvant, chez un grand éditeur, la fructueuse tâche de traduire des dizaines de livres, à partir de l´Anglais. Deux ans après, en 1965, Cláudio intégra la Folha de S.Paulo, où il deviendra le responsable d´une complète et rénovatrice réforme graphique. Toujours reconnu, généreux, il parvint à ce que Folha publie une chronique sur mes critiques concernant l´historien Augusto de Lima Júnior qui a affirmé: ce défavorisé est une légende, une plaisanterie, il n´a jamais existé (article de l´édition du 31-10-1966). Chroniqueur du génial sculpteur Mineiro (état du Minas Gerais), je détruisis toute l´absurdité de Júnior. D´ailleurs, et grâce à Cláudio Abramo, je lui suis reconnaissant pour la divulgation dudit journal, de quatre nouvelles contenant de belles photos, concernant mon roman satirique. O grande lider (éditions du 21-12-1969, du 1-2-1970, du 5-4-1 970 et du 20-9-1970).
C´est par une forte chaleur d´une nuit d´été que je rendis visite à Cláudio à la rédaction de la Folha de S.Paulo et qu´il m´invita dans un bar de la maison mère du journal, pour y savourer une glace. Au bar, il me dit:
- Fernando, est-ce que tu vois ce gars?
Il me pointa du doigt un individu grassouillet, gros. Je répondis que oui. Cláudio me précisa:
- Ce gars-là, c´est le rédacteur de la Folha il adore Paulo Francis, il en est fanatique, et il a su que tu allais écrire un livre contre son idole.
L´individu nous vit, et s´approcha. Je remarquai qu´il était quelque peu éméché.
Il grogna devant moi: - Tu es Fernando Jorge?
Je confirme. Lui, identique à un porc, couinant comme un parfait cochon: - Je te hais, je veux te tuer, t´étrangler, car tu prétends attaquer mon adorable Paulo Francis!
La bête ressemblait réellement à un porc et, au-delà de sa tête de porc, il avait mauvaise haleine. Un peu sonné, il ajouta, sous le regard amusé de Cláudio Abramo:
- Sache une chose, jamais un rédacteur de la Folha commentera ton livre contre Paulo Francis! Jamais! Never, never, dit-il en anglais!
J´empêcherai cela!
Tranquillement, tout en riant, Cláudio Abramo le repoussa, me protégeant de l´agressivité du porc alcoolisé qui, en reculant, ne put se contenir:
- Paulo Francis représente tout, everything, et toi, Fernando Jorge, tu n´es rien, nothing!
Si ce quadrupède est encore rédacteur à la Folha de S.Paulo je me demande comment il doit se sentir en lisant, sur la couverture de la troisième édition de vida e obra do plagiário Paulo Francis, les mots de Irene Solono Vianna, ex-éditrice de la Folha, au sujet du livre, point de vue du 22 mars 1997:
‘‘Les exemples soulevés par Fernando Jorge sont incontestables, bien documentés: Monsieur Paulo Francis écrivait mal, copiait, surtout les citations et les idées, commettait de graves erreurs sur les ostentations de sa pseudo-culture… Il n´avait aucun engagement sur l´exactitude des faits ou du respect de l´honneur et de la dignité des autres’’.
Également dans la Folha de S.Paulo, Luís Eblak souligne, dans un article paru dans l´édition du 22 mai 2010 de ce journal : mon travail ‘‘est la grande critique publiée en livre durant la vie de Francis’’. En parcourant le texte de Eblak, je posai une question. Où en est la promesse de ton collègue, que jamais un rédacteur de la Folha commenterait le livre? Et alors?
Tout de suite après le lancement de la première édition de Vida e obra do plagiário Paulo Francis, José Maria Homem de Montes, directeur de O Estado de S.Paulo m´informa d´une réunion réalisée au journal, car dans le livre, je prouvai la chose suivante: Francis, collaborateur de Estadão (lui étant consacré une page entière), était raciste comme Hitler, tricheur, calomniateur, incompétent, auteur de textes remplis de bêtises, d´incohérences, de fautes grossières de Portugais. L´un des directeurs du quotidien proposa en réunion:
- Je suggère d´octroyer une demi-page de notre journal pour que Fernando Jorge présente ses accusations, mais aussi une demi page à Paulo Francis, pour qu´il puisse se défendre.
Mais un autre directeur s´opposa:
- Désolé, je ne suis pas d´accord. Nous commettrions une erreur. J´ai examiné le livre de Fernando. La richesse du volume est diabolique, écrasante, indestructible. Francis perdrait. De plus, l´accusateur, en gagnant, irait vendre encore plus de livres.
Mon ami, José Maria Homem de Montes, l´un des directeurs de O Estado de S.Paulo, me décrivit cette réunion.
Suite au décès de Paulo Francis, la journaliste Sônia Nolasco, son épouse, téléphona à Luis Fernando Emediato depuis New York, éditeur du livre, et déclara :
- Tu as vu ce que tu as fait, Emediato? Tu as tout fait pour que Fernando Jorge tue mon mari!
Selon les faits, Francis eut un infarctus au même moment où il lisait mon livre contre lui, alors qu´il était bien installé, dans ses toilettes de New York.
‘‘Philosophe’’ entre guillemets, Olavio de Carvalho a déféqué des coliques mentales, un puant livre intestinal, intitulé O imbecil coletivo. Dans celui-ci, il y a onze pages d´attaques sur a vida e obra do plagiário Paulo Francis. Il m´appelait de ‘‘galo de bigodes’’. Mieux vaut cependant être un ‘‘galo de bigodes’’ qu´un penseur rachitique, un poussin aux petites pâtes fragiles comme l´est, sans aucun doute, l´auteur de ce petit livre. Si un jour une idée habitait réellement sa petite tête, le sous-philosophe Olavinho petit poussin de Carvalinho pourrait mourir de congestion cérébrale.
lberto Dines, l´un des fondateurs de ‘‘Labjor à l´Unicamp’’ du laboratoire des Études Avancées sur le journalisme, garantit en 1997, lors d´une entrevue concédée au Correio popular de Campinas: mon œuvre provoqua la mort de Paulo Francis. Mince, si je suis le père d´un meurtrier, je souhaite savoir alors si mon fils doit être fusillé, pendu, ou condamné à prison à perpétuité. Lui, en attendant, garde la conscience tranquille, car il liquida Adolf Hitler de la presse brésilienne.


sábado, 25 de março de 2017

O presidente Lulia no Palácio da Gastança

Grandes jornalistas, de muito talento, e cito aqui o Mino Carta, o Sebastião Nery, o Audálio Dantas, o Geraldo Pereira, o José Neumanne, o Paulo Markun, o Roniwalter Jatobá, o Gabriel Kwac, o Marcos Caldeira Mendonça, fariam magnificas reportagens com o assunto deste meu texto.
Informa Cleo Guimarães, na sua coluna “Gente Boa” do jornal O Globo (20-1-2017), que o governo de Michel Temer, no intuito de abastecer de alimentos o Palácio da Alvorada, gastou, de uma só vez, seis mil reais na compra de pães de queijo, quatorze mil na de 2.500 abacaxis, dezesseis mil na de três mil quilos de melões e mamões, dezessete mil na de queijos do tipo Minas, dezoito mil na de presuntos cozidos, sem capas de gordura, feitos com pernis de porco, pimentas vermelhas e pretas.
Quando li a informação da esperta Cleo Guimarães, indaguei a mim mesmo: o gigante Golias, da Bíblia, após ter sido liquidado por Davi, conseguiu ressuscitar em pleno século XXI? Agora ele almoça e janta no Palácio da Alvorada, aliás, da Gastança, como hóspede do beduíno Michel Miguel Elias Temer Lulia? Bonito nome! Dois brutamontes, acredito, já se instalaram lá, os esfomeados gigantes Gargantua e Pantagruel, nascidos da rica imaginação de François Rabelais (1494-1553), com as suas panças bem arredondadas, soltando arrotos e peidos épicos, marciais.
Num país mergulhado em profunda crise econômica, onde há quatorze milhões de desempregados – e não sei quantos de barriga vazia – o cardápio do Lulia (não confundir com Lula) custou quase sessenta mil reais! Isto se chama afronta, zombaria, desprezo, insulto a um povo carente. É o mesmo que mandar erguer, no meio de enorme favela ocupada por miseráveis famintos, um castelo cheio, na sua cozinha, de manjares saborosos, macios peitos de peru, suculentas carnes assadas, graúdos ovos dourados, fritos no mais puro azeite.
Revela um estudo inédito do Banco Mundial, órgão dirigido por Martin Raiser: entre 2,5 milhões e 3,6 milhões de brasileiros, na maioria jovens, passarão a viver na pobreza, até o fim de 2017. Pergunto: a cozinha do presidente Lulia, embora nababesca, vai alimentá-los?
Desejo entender. Por que gastar seis mil reais na compra de pães de queijo? É para engordar, no Palácio da Gastança, milhares de ratos e ratazanas, de caras idênticas às caras do Eduardo Cunha e do Sérgio Cabral?
Presidente Lulia, incrível, foram gastos quatorze mil reais na compra de 2.500 abacaxis. Abacaxis demais! É por que o abacaxi se tornou o símbolo do seu governo? Segundo o Dicionário de usos do português do Brasil, de Francisco S. Borba, a palavra abacaxi também se aplica às coisas perigosas. Ora, senhor Lulia, se o seu governo é um abacaxi, ele é um perigo, uma ameaça, um risco a pairar sobre as cabeças de todos nós. Cruz, credo!
Presidente Lulia (repito, não confundir com Lula), para que gastar dezesseis mil reais na compra de melões e mamões? Vai esborracha-los nas caras dos que o chamam de golpista? Ui, quero me proteger...
Presidente Lulia, por que gastar dezessete mil reais na compra do queijo tipo Minas? É ainda para satisfazer milhares de ratos e ratazanas do Palácio da Gastança, como ficaram satisfeitos, antes de cair nas ratoeiras fatais, os ratos de duas pernas – ratos bípedes – Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal, e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro? Ambos guincham, agitam-se, estrebucham, sacodem os rabos, tentando escapar das garras afiadas do Sérgio Moro, agilíssimo gatão juiz.
Presidente Lulia (volto a repetir, não confundir com Lula) formulo esta pergunta: o apetite do seu estômago sírio-libanês corresponde ao monstruoso apetite da sua ambição política? Se corresponde, passarei a compreender porque o seu governo gastou dezoito mil reais na compra de soberbos presuntos cozidos, sem capas de banha, feitos com roliços pernis de suínos brasilienses, esplêndidos pernis cobertos de pimentas vermelhas, da cor da nossa indignação, e de pimentas pretas, da cor dos nossos vômitos de nojo, diante dessa orgia de gastos. Sim, desperdício do dinheiro público na aquisição de alimentos perecíveis, destinados a apodrecer de modo rápido na copa do edifício que pode ostentar este outro nome: Palácio da Gastança.
Presidente Lulia, o senhor me dá a impressão de ser igual a Vitélio, imperador romano (15-69), célebre por causa do seu voraz apetite. A gula desse homem não tinha limites. Após a revolta de Tito Flávio Vespasiano (7-79), ele fugiu com o seu padeiro e o seu cozinheiro. O povo assassinou o comilão e o jogou no rio Tibre. Senhor Lulia, aí em Brasília existe algum rio?
Aconselho o nosso super-legitimo presidente a jamais comer tanto como o romancista Honoré de Balzac (1799-1850), que num restaurante de Paris devorou seis pudins, doze costelas, vinte bifes, noventa e seis ostras de Ostende.
Um naturalista inglês, John Lubbock, garantiu: a aranha, no reino dos animais, é o bicho que mais come, proporcionalmente ao seu peso e ao seu tamanho. E Lubbock chegou à seguinte conclusão: se um homem precisasse se alimentar à semelhança das aranhas, teria de engolir, todos os dias, duas vacas, três carneiros, dez porcos, milhares de peixes compridos.
Creio que devido a fartura do cardápio do Palácio da Gastança, o presidente Lulia foi em outra encarnação uma viúva-negra, a mais voraz, temida e peçonhenta das aranhas. O nome dela provem do fato da fêmea dessa aranha comer o macho, depois do acasalamento. Isto lhe fornece uma proteína extra, capaz de ajudá-la a produzir os seus ovos.

Sintetizo a minha hipótese. Talvez o presidente Lulia seja o nosso Homem-Aranha. E ele soube construir a sua teia, a fim de eliminar a inculpável borboleta Dilma Rousseff.

Artigo publicado no Jornal Itabirano

segunda-feira, 20 de março de 2017

Je suis um révolté par les “gens qui puent"

J´ai été fou de rage en lisant, dans un récent exemplaire de la revue "Veja São Paulo", l´article sur les personnes venant de l´intérieur de l´état de Sao Paulo qui arrivent en jets privés, hélicoptères, en grosses voitures importées, pour acheter des vêtements et objets excessivement chers. Ces personnes sont reçues sur un tapis couleur sang et avec des grandes courbatures vertébrales par les vendeurs des boutiques, des magasins hypers chics de la "route du luxe" de la métropole.
Signé para Ricky Hiraoka, le bel article et très bien écrit, informe: le chef d´entreprise Patrícia Diniz, de la ville de Campinas, en une après-midi seulement d´achats, elle a depensé 85000,00 reais, environ 27000,00 euros (le salaire minimum au Brésil est de 234,00 euros). Elle est venue à Sao Paulo en helicoptère rouge, couleur de mon idignation, depensant pour la location de l´appareil, 3200,00 euros. Le coiffeur Djalma Kais, dont le crâne rasé qui scintille comme une boule de billard, a perçu la modeste somme de 3800,00 euros, simplement pour retoucher le maquillage de Patrícia et ses cheveux châtains ondulés. Belle femme, sympathique, femme balzacienne très raffinée (38 ans), elle porte des chaussures Armani, des foulards Versace, des sacs à main Hermès, des bijoux Cartier et Tiffany, des marques qui selon moi, homme révolté par les "gens puants", considère cela comme synonymes de gâchis, exagération, exhibitionnisme, élitisme, aristocratisme.
Voici les autres dépenses de la joyeuse Patrícia Diniz: 300,00 euros pour un foulard noir de Louis Vuitton, une paire de lunettes Chanel de 513,00 euros, une chemise à paillettes de 745,00 euros, un petit manteau de 910 euros, deux gilets, chacun de 3100,00 euros, totalisant la somme de 6200,00 euros.
Le chef d´entreprise a déjeuné au restaurant Parigi, appartenant au groupe Fasano, situé rue Amauri dans le quartier de Itaim Bibi, repas, dont le coût est une bagatelle de 282,00 euros, réglé avec des billets de 50 euros.
Heureuse de porter des sacs énormes montrant les étiquettes de Tufi Duek, de Chanel, de Louis Vuitton, l´extrovertie Patrícia, propriétaire de perturbatrices et hypnotiques jambes, est repartie à la ville de Campinas dans le bel hélicoptère rouge, super enthousiasmée d´avoir de penser, à peine en quatre ou cinq heures, l´insignifiante, la babiole, la folie, la bagatelle de 27000,00 euros. Elle déclare : je fais cela toutes les semaines, avec une dépense mensuelle de 100000,00 euros, seulement ça...
L´article de Ricky Hiraoka, souligne aussi, le mode impartial, du médecin spécialiste en nutrition Danny César,  le "Docteur Hollywood" de la région du Balneário de Camburiú de l´état de Santa Catarina, accompagné de son épouse, la blogueuse Michelle Jumes, après être arrivé à l´aéroport du Champs de Mars, par vol affrété pour presque 2000,00 euros, s´est rendue à la boutique de Versace, au shopping luxueux de  Cidade Jardim, et acheta une paire de chaussures pour 562,00 euros. Danny n´a pas oublié de passer o Jassa, le coiffeur spécialisé dans l´art de teindre en vert ou en bleu ou en gris, les fils de la tête de l´octogénaire Silvio Santos.
Ensuite, Danny se rendit dans deux très élégantes boutiques, Shultz e Chili Beans, situées rue Oscar Freire. Créature ennemies des locaux suspects, comme ces churrascarias populaires, de Viande à volonté, a décidé de déjeuner dans le très réputé restaurant Figueira Rubayat, situé rue Haddock Lobo, dans lequel les pets sont discrets et où il depensa, la bagatelle et modeste somme de 282,00 euros. La chroniqueuse people Alik Kostakis, du journal Ùltima Hora, avait raison: "les personnes de la haute société, c'est autre chose".
En début de soirée, le "Docteur Hollywood du sud", avec de nombreux sacs pleins, avait dépensé l´insignifiante somme de 3500,00 euros. Somme vulgaire, méprisable ! Peut-être que la petite dépense lui a fait honte, car seules les misérables personnes répugnant les gens puants, comme le révolté écrivain Fernando Jorge, cherche à dépenser le moins possible.
D´après Ricky Hiraoka, Madame Daniela Mott, de la région de Sao José dos Campos, a commandé huit tenues dans une boutique d´une "zone considérée noble" de Sao Paulo. Prix de chaque tenue : 2500,00 euros. Dépense totale : 20000,00 euros. Probablement, Madame Daniela vendra chaque tenues pour 5 ou 6000,00 euros, comme cela est pratiqué normalement...
Lethicia Bronstein, styliste dans ce domaine, arrive à vendre des robes de mariage pour 6300,00 euros. Les acheteuses, pour la plupart, ne sont pas de la ville de Sao Paulo, mais oui, de l´intérieur de l´état.
Alors, certains lecteurs pourraient se demander:
- Fernando Jorge, pourquoi êtes-vous furieux en prenant connaissance de ces faits? Vous êtes un refoulé, victime de l´abolition du complexe d´infériorité? Et alors, vous ne savez pas que tout un chacun a le plein droit de dépenser son argent comme bon lui semble? Vous ignorez aujourd'hui que même en Chine communiste, il existe des millionnaires?Je réponds très sincèrement:
- Au Brésil, il y a encore une société très injuste, inégale, où nous voyons des indigents qui dorment dans les rues, des professeurs ayant des salaires dérisoires, des retraités sans suffisamment d´argent suffisant, des jeunes de familles pauvres, modestes, privés d´étudier, de fréquenter des écoles ou des universités, des millions de compatriotes dans la détresse, des malades, des mal nourris ayant besoin d´une rapide assistance médicale, des travailleurs qui reçoivent des salaires dégoûtants, humiliant, impropres pour survivre, payer le loyer, acheter des vêtements, des chaussures, des aliments, des remèdes, prendre le bus, trains ou métro. Je pose la question: comment rester insensible, silencieux, indifferent en voyant tout cela, et, la grande chique Patrícia Diniz qui achète des colliers à 6300,00 euros? Il est impossible de se conformer tout en sachant qu´elle a depensé, en quelques heures, 27000,00 euros dans l´achat de foulards, des petites choses de Versace, d´Hermès, d´Armani, produits identiques ou même inferieurs à d´autres dans des magasins normaux.
 
-Si quelqu'un s´oppose à mes propos et qui n´est pas d´accord, je réplique:
Jamais je n´accepterai une telle orgie de dépenses, car blessant, me faisant mal à la sensibilité de mon cœur démocratique, je perçois l´autre coté-le coté sombre-les plaintes, l´angoisse, la souffrance des ramasse-miettes d´une société égocentrique, inhumaine, amoureuse de choses superficielles, admiratrice de son propre nombril, sourdes aux lamentations des pauvres gens, capable de gaspiller de l´argent et incapable d´en donner à un hôpital, à une crèche, à une école, à une maison de retraite, à un orphelinat.

• Écrivain et journaliste, Fernando Jorge est auteur de "Drummond e o elefante Geraldão", qui vient d´être publié par l´éditeur "Novo Século" et dont la première édition est presque épuisée.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Conseils du pré-cadavre Fernando Jorge au pré-cadavre Michel Temer

Moi, le raisonnable pré-cadavre Fernando Jorge, au travers de cette lettre, donne quatorze conseils au petit futé pré-cadavre Michel Temer, Président de la république. Oui, nous sommes deux pré-cadavres, car nous avons quasiment le même âge avancé. Madame la Mort nous guette avec une toute spéciale attention. Tout d´un coup, VUPT! Elle saisira nos carcasses, nous jetant dans une tombe ou dans un four crématoire. Pourtant, c´est logique, que je demande à Michel Temer, collègue pré-cadavre, de se plier dès maintenant à mes conseils, avant d´acquérir une figure de défunt mélancolique ou de mauvaise humeur.

Premier conseil: restez calme, Président, pour avoir été cité quatorze fois durant l´enquête concernant l´opération “lava jato”. Et, restez ferme, serein, alors que votre nom apparaît vingt et une fois, entre 1996 et 1998, dans les dossiers appréhendés par la Police Fédérale au domicile d´un exécutif de l´entreprise Camargo Corrêa. Le nom de mon collègue pré-cadavre se distingue toujours dans ces affaires, comptabilisant plus de 340 mille dollars.

Deuxième conseil: contrôlez une fois de plus vos nerfs, collègue pré-cadavre, car Romero Ducá, du PMDB, ministre de l´administration, votre bras droit, l´un de vos principaux articulateurs, répond à l´enquête dans les opérations “Lava Jato” et “Zelote”.

Troisième conseil: riez, collègue pré-cadavre, au-devant des accusations de Henrique Eduardo Alves, lui aussi du PMDB et ministre du tourisme. Cet aimable collaborateur de Votre Excellence, souffre d´une enquête dans l´opération “Lava Jato” autorisée par le tribunal suprême fédéral, afin d´établir des dessous-de-table pour sa propre campagne, Eduardo Alves, au gouvernement de l´état du Rio Grande do Norte.

Quatrième conseil: méprisez, collègue pré-cadavre, les accusations de Gedder Vieira Lima, lui aussi du PMDB, ministre chef de l´État de votre gouvernement. Regardez ce regard sérieux, vigoureux, fermé, de cet homme qui, en accord avec le rapport émis par la Police Fédérale, permettait à la société OAS d´utiliser de manière fallacieuse son influence de député, au profit de nombreuses institutions publiques.

Cinquième conseil: embrassez longuement, collègue pré-cadavre, Osmar Terra, votre ministre du développement social et de l´agriculture, lui aussi du PMDB, le parti politique le plus limpide du Brésil. Tant d´insolence, Monsieur le Président, combien d´insolence, le tribunal des comptes de l´état du Rio Grande do Sul ose pointer des irrégularités concernant les gestions d´Osmar, tant au ministère de la santé comme à la préfecture de la ville de Santa Rosa, et le condamne au paiement d´une incroyable amende!

Sixième conseil: hypothéquez de la solidarité, collègue pré-cadavre, au ministre Blairo Maggi, de l´agriculture. Blairo, du PP, est victime de deux actions civiles publiques, pour insubordination administrative, toutes deux, menées para le ministère public du Mato Grosso.

Septième conseil: serrez, d´une main honnête, collègue pré-cadavre, de votre ministre Medonça Filho, de l´éducation et de la culture, du DEM. Il fait l´objet, lors de la septième phase de l´opération “Lava Jato”, de l´accusation d´avoir perçu 250 mille reais de pot-de-vin, des entreprises Odebrecht et Queiroz Galvão.

Huitième conseil: embrassez-le sur la bouche, collègue pré-cadavre, caressez-le beaucoup, lui faisant des chatouilles sous ses dessous-de-bras bien poilus, du ministre Gilbert Kassab, Science, Technologie et Communications, membre du PSDB. Kassab est accusé dans une action d´insubordination administrative. Le tribunal de justice de Sao Paulo ose affirmer: cet ex-préfet de la capitale Paulista, n´a pas empêché, dans cette foire, la collecte de pots-de-vin.

Neuvième conseil: prononcez un discours, collègue pré-cadavre, en défense de José Serra, du PSDB, votre ministre des relations extérieures. Cité dans la liste des bénéficiaires d´ Odebrecht, il a violé la loi Organique municipale lorsqu´il était préfet de la ville de Sao Paulo, car il n´a pas correctement approuvé l´augmentation de salaire des fonctionnaires publics municipaux. Il a montré pendant sa gestion, somme toute scandaleuse, l´insubordination administrative.

Dixième conseil: offrez une boîte de vitamines, collègue pré-cadavre, comme preuve d´admiration et d´amitié, à Ricardo Barros, du PP, votre ministre de la santé. Le nom de Ricardo est sur la liste d´Odebrecht. La police fédérale a ouvert une enquête le concernant pour seulement trois petites choses: corruption passive, détournement de fonds et fraudes, dans l´appel d´offres sur des contrats de services publicitaires destinés à la préfecture de Maringá. Tout au bénéfice de l´entreprise Meta Propaganda.

Onzième conseil: envoyez, collègue pré-cadavre, un CD contenant des musiques de Sanfoneiro Luiz Gonzaga, le “Roi du Bairão”, à Sarney Filho, du PV, votre ministre de l´environnement. Petit Sarney, ou plutôt, le grand Sarney, a dû payer une amende très élevée, sous l´accusation de publicité politique malhonnête, sanction fixée par le ministère public fédéral.

Douzième conseil: offrez une voiture bien chère comme cadeau, dernier modèle, collègue pré-cadavre, à Mauricio Quintella, du PR, votre ministre des transports. Douce créature au regard gentil, Mauricio, le pauvre, a été condamné pour insubordination administrative des deniers publics et enrichissement illicite. Il fait l´objet aujourd’hui d´une enquête, qui vérifie les détournements de fonds.

Treizième conseil: protestez de manière violente, collègue pré-cadavre, contre les accusations de Helder Barbalho, de l´éthique PMDB, votre ministre de l´intégration nationale. Notre justice injuste l´accuse d´insubordination administrative lorsqu´il était préfet de Ananindeua, ville de l´état du Pará. Selon cette Justice, Helder a détourné des fonds de la sécurité sociale-SUS.

Quatorzième conseil: ne cachez pas votre profonde admiration, collègue pré-cadavre, pour Moreira Franco, du pur PMDB, votre secrétaire spécial de l´investissement. Le 27 avril 1998, le suprême tribunal fédéral a condamné Moreira, ex-gouverneur de Rio de Janeiro, pour avoir commis un acte préjudiciable au patrimoine public. Il a utilisé l´argent du contribuable pour imprimer le livre Moreira Franco, il a gouverné pour tous, édition contenant 274 pages, 180 photos en couleur et tirage à 50 mille exemplaires. La justice lui a demandé de rendre la somme de 150 mille dollars, pour le non-respect à l´article 37 de la constitution, qui interdit l´administrateur, l´autopromotion de publicité d´actes et d´œuvres publiques.

En conclusion, moi, l´écrivain Fernando Jorge, modeste pré-cadavre, salue avec enthousiasme le pré-cadavre Michel Temer, pour cette heureuse et grande intelligence dans le choix de ses ministres. Bravo, Président, mille Bravos! Quel esprit juste, raisonnable, minutieux, Votre Excellence! Voyez-vous, je suis touché, par une chaude larme, sincère et lumineuse, qui coule sur mon visage pâle de pré-cadavre patriote…